RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA: substituir ou não?

É muito comum no consultório odontológico, a procura dos pacientes pela substituição das restaurações de amálgama, aquelas restaurações antigas e escuras, que incomodam bastante pela estética prejudicada.

Porém, antes de indicar a substituição, o cirurgião-dentista leva em consideração alguns fatores, e avalia cada caso individualmente.

Existem motivos para a troca desta restauração metálica por uma restauração estética (normalmente de resina composta, que é clara, da cor dos dentes). A substituição é recomendada quando existem problemas que envolvem a saúde do dente, como fratura da restauração antiga, desgaste dos bordos desta restauração, fratura do dente ou mesmo uma infiltração cariosa. Já quando se trata de uma restauração metálica em bom estado e o motivo da troca é exclusivamente estética, surgem então alguns questionamentos.

Muitas vezes a destruição do remanescente dentário é tão grande, que não é possível somente a troca da restauração, e sim, a confecção de uma prótese (coroa de porcelana) ou uma restauração indireta de porcelana (realizada no laboratório de prótese e cimentada ao remanescente dentário). Estes procedimentos normalmente geram custos mais elevados e maior número de consultas, do que uma restauração de resina direta, que é realizada em uma única sessão.

Uma restauração de resina composta tem a mesma durabilidade de uma restauração de amálgama?

Normalmente as restaurações de amálgama costumam ter durabilidade superior às de resina composta, que duram em média 7 anos. Após este período, a resina apresenta porosidades, manchamento, descolamento dos bordos e necessita de avaliação para constatar necessidade de troca. O amálgama tem durabilidade maior, em média de 15 anos.

Posso sentir sensibilidade após a troca desta restauração?

Outra questão é a sensibilidade. Dependendo da profundidade e proximidade com a polpa dentária, restaurações de resina composta podem apresentar sensibilidade pós-operatória.

Porém, existem outras desvantagens do amálgama. Motivos bastante relevantes que levam à considerar a troca por outras restaurações, além da falta de estética:

  • Manchamento do remanescente dentário pelos íons metálicos escuros: mesmo após a remoção do amálgama, o dente apresenta-se escurecido. Caso a substituição seja por motivos estéticos, faz-se necessária a remoção desta parte escurecida do dente, para que não transpareça através da nova restauração em resina que será realizada.
  • Toxicidade do mercúrio: A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou a proposta que proíbe a utilização de amálgama, para restauração dentária, devido à toxicidade do mercúrio. O mercúrio é considerado o segundo metal não radioativo mais contaminante que existe. Ele é absorvido pelo organismo, o que pode resultar em graves desordens neurológicas. A proibição está prevista no Projeto de Lei 654/15.
  • Dor ao morder algo metálico: Quem tem amálgama nos dentes provavelmente já tenha experimentado uma sensação nada agradável quando algum papel-alumínio encosta nessa liga (como ocorre, por exemplo, quando se morde sem querer a embalagem de um bombom). Essa dor aguda pode ser explicada pela condução de corrente elétrica pelas terminações nervosas dos dentes. A saliva funciona como uma ponte salina conduzindo os íons de alumínio para a restauração e, daí, às terminações nervosas.

Todos estes aspectos devem ser discutidos previamente com o paciente para avaliar se vale a pena a substituição.

CD Renata Zago, mestre e especialista em Dentística Restauradora
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